Platão nasceu em Atenas, em cerca de 367 a.C. Apesar de seu nome
verdadeiro ser Arístocles, recebeu o apelido de Platão, provavelmente, pelo seu
porte físico (Platão significa “de ombros largos”). Foi discípulo de Sócrates
e, quando tinha uns 40 anos de idade, fundou sua própria escola filosófica: a Academia. Não era um lugar para malhação
e exercícios físicos, como poderíamos pensar hoje. A Academia era uma espécie
de universidade, um centro de pesquisas sobre política e filosofia.
Cada filósofo possui um estilo para expressar suas ideias e seus
pensamentos. Uns escrevem em curtas frases, outros escrevem grandes tratados.
Platão preferiu escrever suas obras na forma de diálogos, cuja personagem principal é Sócrates. Uma das obras mais
famosas de Platão se chama A república.
Demiurgo e o mundo: Se
existem esses dois mundos tão diferentes, como um se relaciona com o outro?
Como surgiram as cópias imperfeitas, pois o que não é eterno precisa de uma
causa para existir? A explicação de Platão para essas perguntas é o demiurgo, que seria uma espécie de
divindade platônica. O demiurgo uma
espécie de construtor: ele contempla as ideias perfeitas e então constrói, a
partir da matéria indeterminada, as
cópias imperfeitas no mundo sensível. Como essas ideias podem nos ajudar a entender os diferentes objetos que
possuem o mesmo nome (as canetas, em nosso caso)? Para Platão, as canetas (no
mundo sensível) são canetas porque participam
da ideia de caneta (no mundo inteligível). Ou seja: as canetas que temos
aqui são cópias (imperfeitas) da ideia de
caneta, que é perfeita. As canetas que possuímos são cópias que existem hoje,
mas amanhã podem não existir mais, porém as ideias
são eternas e perfeitas.
No entanto, a filosofia platônica transcende o dualismo que acabou
servindo para vulgarizar seu pensamento. É preciso entender que o dualismo
serve como intermédio para entender a relação entre os opostos e como o mundo
sensível participa do mundo inteligível. Ao invés duma unilateralidade, temos
uma relação dialógica entre os dois mundos. Para Platão, o mundo em que vivemos
– no qual podemos tocar, cheirar, ver, enfim, sentir as coisas – é denominado
de mundo sensível. Entretanto, há um
mundo que está além desse, o mundo
inteligível. Nesse mundo, encontram-se as ideias ou formas, que são
perfeitas e não mudam. Mas subsiste uma relação entre as ideias e as coisas, entre
o mundo da forma e o mundo da matéria. E Platão operou a superação das
afirmações dualista acerca do movimento e do repouso, do ser e do não-ser, do
uno e do múltiplo em suas obra Parmênides
e O sofista. Assim, a relação entre
os contrários comparece como uma relação de reciprocidade e não excludente, ou
seja, a contradição revela-se como um movimento de reciprocidade entre os
elementos, em que os contrários estão articulados. Entender o papel das
contradições na filosofia é fundamental para a elucidação efetiva do mundo e
superar o reino das aparências, em que predomina o pensamento linear e a
incapacidade de entender o fundamento das coisas. Esse movimento entre os
contrários serve como arcabouço da dialética platônica.
Bibliografia
Nenhum comentário:
Postar um comentário