quarta-feira, 25 de março de 2015

Platão: o demiurgo e a dialética

Platão nasceu em Atenas, em cerca de 367 a.C. Apesar de seu nome verdadeiro ser Arístocles, recebeu o apelido de Platão, provavelmente, pelo seu porte físico (Platão significa “de ombros largos”). Foi discípulo de Sócrates e, quando tinha uns 40 anos de idade, fundou sua própria escola filosófica: a Academia. Não era um lugar para malhação e exercícios físicos, como poderíamos pensar hoje. A Academia era uma espécie de universidade, um centro de pesquisas sobre política e filosofia.
Cada filósofo possui um estilo para expressar suas ideias e seus pensamentos. Uns escrevem em curtas frases, outros escrevem grandes tratados. Platão preferiu escrever suas obras na forma de diálogos, cuja personagem principal é Sócrates. Uma das obras mais famosas de Platão se chama A república.
Demiurgo e o mundo: Se existem esses dois mundos tão diferentes, como um se relaciona com o outro? Como surgiram as cópias imperfeitas, pois o que não é eterno precisa de uma causa para existir? A explicação de Platão para essas perguntas é o demiurgo, que seria uma espécie de divindade platônica. O demiurgo uma espécie de construtor: ele contempla as ideias perfeitas e então constrói, a partir da matéria indeterminada, as cópias imperfeitas no mundo sensível. Como essas ideias podem nos ajudar a entender os diferentes objetos que possuem o mesmo nome (as canetas, em nosso caso)? Para Platão, as canetas (no mundo sensível) são canetas porque participam da ideia de caneta (no mundo inteligível). Ou seja: as canetas que temos aqui são cópias (imperfeitas) da ideia de caneta, que é perfeita. As canetas que possuímos são cópias que existem hoje, mas amanhã podem não existir mais, porém as ideias são eternas e perfeitas.
No entanto, a filosofia platônica transcende o dualismo que acabou servindo para vulgarizar seu pensamento. É preciso entender que o dualismo serve como intermédio para entender a relação entre os opostos e como o mundo sensível participa do mundo inteligível. Ao invés duma unilateralidade, temos uma relação dialógica entre os dois mundos. Para Platão, o mundo em que vivemos – no qual podemos tocar, cheirar, ver, enfim, sentir as coisas – é denominado de mundo sensível. Entretanto, há um mundo que está além desse, o mundo inteligível. Nesse mundo, encontram-se as ideias ou formas, que são perfeitas e não mudam. Mas subsiste uma relação entre as ideias e as coisas, entre o mundo da forma e o mundo da matéria. E Platão operou a superação das afirmações dualista acerca do movimento e do repouso, do ser e do não-ser, do uno e do múltiplo em suas obra Parmênides e O sofista. Assim, a relação entre os contrários comparece como uma relação de reciprocidade e não excludente, ou seja, a contradição revela-se como um movimento de reciprocidade entre os elementos, em que os contrários estão articulados. Entender o papel das contradições na filosofia é fundamental para a elucidação efetiva do mundo e superar o reino das aparências, em que predomina o pensamento linear e a incapacidade de entender o fundamento das coisas. Esse movimento entre os contrários serve como arcabouço da dialética platônica.

Bibliografia

COTRIM, Gilberto; FERNANDES, Mirna. Fundamentos de filosofia. 1ª ed. São Paulo: Saraiva, 2010.